Comissão Nacional da UNESCO

Ministério dos Negócios Estrangeiros

Dia Internacional para a Eliminação da Violência contra as Mulheres

orange the world

Mensagem da Diretora Geral da UNESCO

Por ocasião do Dia Internacional para a Eliminação da Violência contra as Mulheres

Não Deixar Ninguém para Trás: Eliminar a Violência contra as Mulheres e as Raparigas

25 de novembro de 2017

A 25 de novembro de 1960, três irmãs da família Mirabel foram brutalmente assassinadas na República Dominicana pelo seu ativismo contra a ditadura. Este é o dia escolhido pelas Nações Unidas para o mundo se insurgir contra a violência contras as mulheres.

O mundo mudou desde 1960, mas esta violação dos direitos humanos e da dignidade continua a ser um flagelo nas vidas de raparigas e mulheres em todo o mundo. Nenhum país é poupado, nenhuma sociedade é imune. De acordo com a Organização Mundial de Saúde, uma em cada três mulheres sofre violência física ou sexual ao longo da sua vida, geralmente por parte de um companheiro masculino. As feridas físicas e psicológicas daí decorrentes são profundas. Estas violências afetam a saúde, a dignidade, a segurança e autonomia das vítimas, e enfraquecem o tecido social, prejudicando o desenvolvimento sustentável e inclusivo. Pior ainda, as raparigas e mulheres não têm recursos, nem qualquer acesso à justiça, sendo forçadas a continuar a viver sob a ameaça, frequentemente lado a lado com os agressores que, pela sua parte, gozam de impunidade.

Esta situação não pode continuar. Nenhuma pessoa, nenhuma comunidade, nenhuma sociedade deve aceitar estas violências.

Temos que quebrar o silêncio e denunciar. Temos que parar de ver as mulheres como vítimas, autonomizando-as como forças de mudança nas suas vidas e comunidades. Temos de começar o mais cedo possível, com raparigas, nos bancos de escola.

É assim que a UNESCO age. A UNESCO fez da educação das raparigas uma prioridade em todo o mundo. Com a ONU Mulheres e o Grupo de Trabalho Mundial encarregado de Eliminar a Violência de Género nas Escolas, a UNESCO encomendou Orientações Mundiais para ajudar ministérios da educação e entidades educativas a entenderem melhor os desafios desta violência e a identificarem formas de prevenção e respostas efetivas. A UNESCO está a trabalhar para dotar rapazes e homens de competências em matéria de luta contra as violências e discriminações sexistas e dar-lhes a oportunidade de participarem neste combate. Para ultrapassar estereótipos, a Iniciativa As Mulheres Fazem as Notícias da UNESCO promove a igualdade de género nos e através dos media.

A nossa posição é clara. A violência não só é prejudicial para as mulheres, como enfraquece as sociedades como um todo. Numa época em que todos os países procuram novas fontes de criatividade e de dinamismo, ninguém pode ser deixado para trás, nenhuma sociedade pode discriminar metade da sua população, metade da sua imaginação, metade da sua ingenuidade. Os direitos e a dignidade das raparigas e das mulheres são os fundamentos de um futuro melhor para todos. É por este motivo que temos de eliminar todas as formas de violência contra as mulheres.

Audrey Azoulay