Comissão Nacional da UNESCO

Ministério dos Negócios Estrangeiros

Mensagem da Diretora-Geral da UNESCO por ocasião do Dia Internacional do Tráfico Negreiro e da sua Abolição

123 de agosto de 2018

Na noite de 22 para 23 de agosto de 1791, na parte ocidental da ilha de São Domingos, na altura uma colónia francesa das Antilhas, teve lugar uma insurreição de escravos que viria a ser um ponto de viragem na trágica história de tráfico negreiro. A guerra que se seguiu culminou em 1804 na independência daquela parte da ilha, que tomou o nome de Haiti, e levou ao reconhecimento da igualdade de direitos de todos os seus habitantes.

A onda de choque causada por este acontecimento histórico contribuiu grandemente, ao longo do século, para a formação do movimento de abolição e para o desmantelamento do sistema esclavagista.

Foi a universalidade deste combate pela liberdade e dignidade, conduzido pelos escravos de São Domingos, que levou a UNESCO a estabelecer o Dia Internacional da Lembrança do Tráfico Negreiro e da sua Abolição, e a escolher a data simbólica de 23 de agosto para a sua celebração.

Desde 1996, este Dia Internacional tem sido uma oportunidade para aprofundar a reflexão sobre as sequelas da história de escravidão e sobre a necessidade de explorar a sua memória. O Dia também adverte contra o preconceito racial que foi desenvolvido para justificar a escravidão e continua a alimentar o racismo comum e a discriminação contra pessoas de ascendência africana.

Desde 2011, o tráfico e a escravidão são reconhecidos pela comunidade internacional como crimes contra a humanidade. Contudo, estes flagelos ressurgem em períodos regulares de formas diferentes e em lugares diferentes. É por isso que um melhor conhecimento da história do tráfico de escravos e da escravidão é essencial para uma melhor compreensão da emergência de novas formas de escravidão, para tentar evitá-las.

Neste Dia Internacional, a UNESCO convida todas as pessoas, incluindo autoridades públicas, sociedade civil, historiadores, investigadores e cidadãos comuns, a mobilizarem-se para aumentar a consciencialização sobre esta história que compartilhamos e a oporem-se a todas as formas de escravidão moderna.

Audrey Azoulay