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“Eu tenho prezado pelo ideal de uma sociedade democrática e livre, na qual todas as pessoas possam viver juntas em harmonia e com iguais oportunidades. É um ideal pelo qual eu espero viver e que espero alcançar. Mas, caso seja necessário, é um ideal pelo qual estou pronto para morrer.”

Para Nelson Mandela, este ideal era uma verdadeira linha política da qual procurou nunca desviar-se. No auge da repressão, Nelson Mandela estava convencido de que as mudanças fundamentais podiam ocorrer de forma pacífica, e que somente a determinação não-violenta e a fraternidade podiam alcançar resultados duradouros.

Hoje em dia, este exemplo continua a inspirar e a orientar homens e mulheres que, à semelhança de Mandela, acreditam que é possível alcançar uma Africa em paz com ela própria e com o resto do mundo. O Doutor Denis Mukwege, cuja infalível determinação lhe valeu o Prémio Nobel da Paz em 2018, é um bom exemplo disso. Numa região assolada pela violência, o Doutor Denis Mukwege trabalha obstinadamente para ajudar as mulheres vítimas das violências mais atrozes, porque, diz ele, carregam a humanidade vindoura.

Mandela acreditava que a paz é um processo longo, que vai muito além do fim das hostilidades. Esta constrói-se através da defesa e da promoção da justiça e dos direitos humanos; está enraizada nos esforços incansáveis daqueles que não recuam perante nada, nem perante o medo, nem perante o perigo.

É desses esforços incessantes que precisamos mais do que nunca, é com uma determinação igual à de Mandela que construiremos a África pacífica com a qual sonhou, e para a qual contribuiu.

É o motivo pelo qual a UNESCO apoia estes esforços e trabalha em prol da paz no continente africano, o qual assume um grau de prioridade na Organização. Em primeiro lugar, através dos numerosos programas que realizamos, particularmente nos domínios da educação e da cultura, assim como através da organização de reuniões essenciais para promover o diálogo e o intercâmbio.

Estão previstos dois eventos importantes em 2019: em setembro, o Governo da República de Angola, a União Africana e a UNESCO organizarão, conjuntamente, a Bienal de Luanda. Trata-se do primeiro Fórum Pan-Africano dedicado exclusivamente à promoção da cultura da paz. Em outubro, terá lugar o Fórum Africano de Humanidades, em Brazzaville, República Democrática do Congo, que parte da ideia de que um melhor conhecimento das sociedades, das culturas africanas e do seu rico património histórico e cultural contribuirá para a construção de um futuro de paz duradouro.

Neste contexto, Nelson Mandela é, sem dúvida, simultaneamente um exemplo e um guia. O Dia Internacional Nelson Mandela é uma oportunidade para recordarmos a sua mensagem e construirmos, juntos, em todo o continente essa “sociedade livre e democrática”, pela qual ansiava há mais de cinquenta anos.

Audrey Azoulay

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