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21 de março de 2019

 

A discriminação racial ainda não está relegada aos livros. Esta forma viciosa de exclusão e de intolerância continua a manifestar-se no desporto, nos media, na rua, no trabalho e até nos corredores do poder.

Cinquenta anos após a entrada em vigor, em 1969, da Convenção Internacional sobre a Eliminação de todos as Formas de Discriminação Racial, já foram eliminadas, no mundo inteiro, a maioria das leis raciais mais perniciosas, e abolidos o apartheid e a escravatura.

Lamentavelmente, uma vez mais, a discriminação racial mostra o seu rosto infame no debate público. Por este motivo, este ano, o Dia Internacional para a Eliminação da Discriminação Racial é subordinado ao tema “Atenuar e contrariar o populismo nacionalista e as ideologias supremacistas extremistas”.

Combater o racismo é uma questão de dignidade humana e de construção de um mundo melhor. A defesa da diversidade, da inclusão, da não-discriminação e de uma cultura da paz e da solidariedade sempre estiveram no cerne da missão da UNESCO.

A Internet pode ser um terreno fértil para propagar a discriminação racial, a xenofobia e as ideologias supremacistas, cujos alvos são frequentemente os migrantes, os refugiados ou ainda os afrodescendentes. A UNESCO, na sua qualidade de organização das Nações Unidas responsável pelas áreas da comunicação e da informação, desenvolve ferramentas de literacia para os media e para a informação destinadas a combater tais comportamentos online e a pôr um freio na propagação das notícias falsas.

A consecução de um espaço seguro online inscreve-se num conceito mais lato da educação para a cidadania global que visa o desenvolvimento das competências para favorecer a compreensão mútua, o pensamento crítico e o diálogo intercultural. Os nossos projetos educativos sobre o Holocausto e a Rota do Escravo – ambos objeto de negacionismo no âmbito das teorias pseudocientíficas de superioridade racial – permitem um maior entendimento destes terríveis capítulos da nossa história humana.

Todos os dias, a discriminação racial continua a despojar silenciosamente as pessoas dos seus direitos fundamentais ao emprego, à habitação e à vida social, por meio de leis iníquas. Através da Coligação Internacional das Cidades Inclusivas e Sustentáveis (ICCAR) da UNESCO, apoiamos os Estados Membros na elaboração de políticas urbanas com vista a derrotar as formas modernas de exclusão.

Ademais, neste Ano Internacional das Línguas Indígenas, voltamos toda a nossa atenção para o racismo estrutural que retira a determinados grupos étnicos o direito de utilizarem plenamente a sua língua materna, nas salas de aulas, na esfera cultural ou ainda nos processos de tomada de decisão.

A luta contra a discriminação racial a todos diz respeito. Neste Dia Internacional para a Eliminação da Discriminação Racial, unamos as nossas forças, Estados Membros, organizações da sociedade civil e cidadãos, para pormos um ponto final na discriminação racial e construirmos sociedades mais sustentáveis.

Audrey Azoulay

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