Comissão Nacional da UNESCO

Ministério dos Negócios Estrangeiros

Mensagem da Diretora-Geral da UNESCO, por ocasião do Dia Internacional para a Eliminação da Violência contra as Mulheres

25 de novembro de 2018

A violência contra as mulheres é um dos flagelos mais disseminados no mundo. Ainda assim, dispomos de poucos dados fiáveis avaliarmos de forma mais precisa todas as suas manifestações – violência física, sexual, psicológica, económica. Isto acontece porque surgem, frequentemente, num contexto doméstico íntimo, porque as nossas sociedades tendem a minimizá-las, e até mesmo a normalizá-las, porque o receio de retaliações, a vergonha relativamente aos familiares, e os sistemas e as práticas jurídicas impedem muitas mulheres de apresentar queixa contra os seus agressores. Demasiadas vezes, a violência contra as mulheres continua a ser negada, menosprezada e a matar. 

Embora tais violências passem, na maioria das vezes, despercebidas, não são totalmente desconhecidas. Estima-se que, atualmente, 35% das mulheres no mundo sofrem violências físicas. Em alguns países, 70% das mulheres foram vítimas de violências físicas ou sexuais por parte do seu parceiro – e este número não inclui os casos de assédio. Cerca de metade dos feminicídios no mundo são cometidos por um parceiro íntimo ou um familiar. Cento e vinte milhões de raparigas de menos de 20 anos foram vítimas de violência sexual, pelo menos uma vez na vida. Duzentos milhões de mulheres atualmente vivas sofreram de mutilação genital, geralmente antes dos cinco anos.

As transformações do mundo contemporâneo, a maior visibilidade das mulheres, nomeadamente nas esferas política e mediática, suscitam novas formas de violência. As mulheres são, principalmente, alvo de assédio online, mas também no seu local de trabalho. Estes fenómenos, que não são exclusivos a determinados setores sociais, nem a certas culturas ou a certos países, ocorrem em todas as sociedades do mundo, e fazem-se sentir até nas mais altas esferas políticas, como demonstra um estudo recente da União Interparlamentar (UIP).

A erradicação das violências contra as mulheres é uma luta que faz parte de uma ambição mais vasta: a de um mundo onde a mulher não tenha menos direitos, menos oportunidades nem menos escolhas por ser mulher. Neste Dia Internacional para a Eliminação da Violência contra as Mulheres, a UNESCO reafirma o seu firme compromisso junto das mulheres do mundo inteiro, e apela a todos os seus parceiros para que intensifiquem os seus esforços nesta luta em que o que está em causa é nada menos do que a nossa dignidade coletiva e a nossa humanidade.

Audrey Azoulay