dia internacional holocausto banner

27 de janeiro de 2020

 

Há 75 anos, as 100ª e 322ª divisões da “Primeira Frente Ucraniana” do Exército Soviético chegavam ao campo de concentração e de extermínio nazi de Auschwitz- Birkenau, cujo próprio nome simboliza a barbárie dos centros de assassínio e de concentração.
Cerca de um milhão de homens, mulheres e crianças foram ali assassinados por serem Judeus, na maioria dos casos à chegada ao campo. Dezenas de milhares de Ciganos, prisioneiros de guerra soviéticos, opositores políticos e outras pessoas vítimas de perseguição foram internadas ou morreram ali. No total, os nazis assassinaram 1 100 000 pessoas em Auschwitz-Birkenau.
Devido ao seu sistema industrializado de extermínio, Birkenau representa o culminar do projeto criminoso dos nazis. Em nome de uma ideologia racista e antissemita, pessoas de todas as idades foram consideradas indignas de existir e assassinadas de forma sistemática a uma escala continental. Neste dia de memória, a UNESCO quer prestar homenagem a estas vítimas sem sepultura, para as quais o esquecimento seria uma segunda condenação.
Em primeiro lugar, através do indispensável trabalho de memória e, em segundo lugar, através do compromisso para a ação.
Cabe-nos assim lutar contra os discursos, onde quer que se expressem, que procuram negar a existência do Holocausto, que relativizam a sua magnitude ou que tentam absolver os assassinos e cúmplices dos seus crimes.
Também é nosso dever, aqui e agora, prevenir o ressurgimento dos genocídios e das violências em massa, pois, ainda que os nazis tenham sido derrotados, nem o antissemitismo, nem o racismo morreram. Continuam a ceifar vidas, a discriminar e a perseguir minorias devido à sua religião, origem ou cultura, e populações civis continuam a ser vítimas de crimes de guerra, de crimes contra a humanidade e de genocídio.
O papel da UNESCO consiste, precisamente, em fazer todos os possíveis para melhor armar as mentes, para reforçar as defesas intelectuais de todos e cada um, numa palavra, para educar – pois não nascemos antissemitas e racistas, tornamo-nos antissemitas e racistas.
É nosso dever coletivo responder firmemente contra a manipulação da cultura, contra a instrumentalização do ensino, que são indevidamente usados para doutrinar ou incitar ao ódio, promovendo o conhecimento do outro e reforçando o pensamento crítico e o respeito mútuo.
Prevenir o irremediável, preparar as novas gerações para um futuro mais seguro e mais pacífico: eis a missão que foi entregue à UNESCO há 70 anos e que continua, mais do que nunca, a inspirar-nos.

Audrey Azoulay

 

 

Mais informações em: 

https://en.unesco.org/commemorations/holocaustremembranceday

  • Partilhe