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Terça-feira, 17 de março, no fim do dia, mais de 850 milhões de crianças e de jovens – ou seja cerca de metade da população mundial em idade escolar – deixaram de ter acesso aos seus estabelecimentos escolares, o encerramento das escolas e universidades devido no plano nacional em 102 países, no plano local em outros 11. O número de indivíduos afetados mais que duplicou em apenas quatro dias, são ainda esperadas outras decisões desta natureza.

A amplitude e a rapidez do encerramento de escolas e universidades representam um desafio sem precedentes para o setor da educação. Os países do mundo inteiro tomam, à pressa, medidas para preencher o vazio em matéria de soluções de ensino à distância. Estas vão desde alternativas tecnologicamente avançadas – como as aulas em direto por videoconferência – às alternativas mais clássicas como os programas educativos na televisão ou na rádio.

Face ao encerramento massivo dos estabelecimentos escolares, a UNESCO criou um grupo de trabalho COVID-19 encarregado de fornecer conselhos e assistência técnica aos governos que se esforçam para assegurar as aulas aos alunos temporariamente sem escola. A Organização também organiza reuniões virtuais regulares com os Ministros da Educação de todo o mundo para trocar experiências e avaliar as necessidades prioritárias. A UNESCO lança também uma Coligação Mundial COVID-19 para a Educação que reúne parceiros multilaterais e o setor privado, incluindo a Microsoft e o Global System for Mobile Communications (GSMA), para ajudar os países a implementarem sistemas de ensino à distância suscetíveis de minimizar as perturbações na educação e manter contacto social com os alunos.

"A situação atual coloca imensos desafios para que os países sejam capazes de proporcionar a todos uma aprendizagem contínua de forma equitativa. Estamos a reforçar a nossa ação a nível global, criando uma Coligação para assegurar uma resposta rápida e coordenada. Para além da emergência, este esforço é uma oportunidade para repensarmos a educação, para desenvolvermos o ensino à distância e para tornarmos os sistemas educativos mais resilientes, mais abertos e mais inovadores", disse a Diretora-Geral da UNESCO, Audrey Azoulay.

«As dificuldades irão aumentar exponencialmente se o encerramento das escolas se prolongar», considera Stefania Giannini, Subdiretora-Geral da UNESCO para a Educação. "As escolas, por mais imperfeitas que sejam, desempenham um papel igualador na sociedade e, quando fecham, as desigualdades aumentam.»

A UNESCO também organizará regularmente webinares e reuniões virtuais para permitir aos representantes dos países partilharem informações sobre a eficácia das abordagens utilizadas em diferentes contextos, apoiando-se no sucesso da sua reunião ministerial de 10 de março que envolveu 73 países.

Os efeitos negativos do encerramento de escolas não podem ser sobrestimados. A UNESCO desenvolveu uma lista de impactos, muitos dos quais vão além do setor da educação, para ajudar os países a antecipar e a mitigar os problemas. Estes impactos são os seguintes:

  • Interrupção da aprendizagem. Os inconvenientes são desproporcionais para os alunos desfavorecidos que tendem a ter menos oportunidades educativas fora da escola.
  • A nutrição. Muitas crianças e jovens dependem das refeições gratuitas ou com desconto fornecidas nas cantinas escolares para a sua alimentação e nutrição saudável. Quando as escolas fecham, este benefício desaparece.
  • Proteção. As escolas mantêm muitas crianças e jovens em segurança; quando fecham, os jovens ficam mais vulneráveis e mais expostos.
  • Os pais não estão preparados para o ensino à distância e em casa. Quando as escolas fecham, os pais são frequentemente solicitados a facilitar a aprendizagem das crianças em casa e podem ter dificuldade em fazê-lo. Isto é especialmente verdade para pais com educação e recursos limitados.
  • Acesso desigual aos portais digitais de aprendizagem. A falta de acesso à tecnologia ou uma boa ligação à Internet é uma barreira à aprendizagem futura, especialmente para os alunos oriundos de famílias desfavorecidas.
  • As lacunas em termos de guarda de crianças. Na ausência de soluções alternativas, os pais trabalhadores muitas vezes deixam os filhos sozinhos quando as escolas fecham, o que pode levar a comportamentos de risco, nomeadamente a uma má influência acrescida por parte de alguns colegas, incluindo o abuso de drogas.
  • Custos económicos elevados. É mais provável que os pais trabalhadores tirem tempo do trabalho para cuidar de seus filhos quando as escolas fecham. Isto resulta em perda de rendimento e menor produtividade.
  • Aumento da pressão sobre as escolas e sistemas escolares que permanecem abertos. O encerramento localizado de escolas coloca um fardo sobre as escolas, pois os pais e os funcionários redirecionam as crianças para escolas que estão abertas.
  • Aumento das taxas de abandono escolar. Pode ser difícil garantir que crianças e jovens voltem e permaneçam na escola quando as escolas reabrem após o encerramento, o que é particularmente verdade para os encerramentos prolongados.
  • Isolamento social: As escolas são centros de atividade social e de interação humana. Quando as escolas fecham, muitas crianças e jovens não beneficiam dos contactos sociais essenciais à aprendizagem e ao desenvolvimento.

Mais informações e atualizações regulares sobre a situação no website da UNESCO.

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