Mensagem conjunta de Audrey Azoulay, Diretora-Geral da UNESCO, e

Phumzile Mlambo –Ngcuka, Diretora-Executiva da ONU-Mulheres

2019

 

Recentemente, jovens mulheres e raparigas do mundo inteiro têm desempenhado um papel crucial reclamando que se adotem medidas para lutar contra as alterações climáticas, a nível mundial. Quando a adolescente sueca, de 16 anos, Greta Thunberg, exortou os participantes do Fórum Económico Mundial, na Suíça, a agir “como se a nossa casa estivesse em chamas”, estava a dar voz aos sentimentos partilhados por muitos jovens da sua idade.

A voz das mulheres e das raparigas e os seus conhecimentos especializados em domínios da ciência, da tecnologia e da inovação (CTI) são fundamentais para se encontrarem soluções para as mudanças disruptivas que assolam o nosso mundo, em rápida evolução. É urgente reduzir as disparidades entre homens e mulheres na ciência, na tecnologia, na engenharia e na matemática (CTEM) e promover ativamente a igualdade de género nas carreiras ligadas à ciência, à tecnologia e à inovação.

Estas competências são essenciais para as categorias de emprego de mais rápido crescimento. Vários estudos recentes demonstram que as mudanças nos mercados laborais mundiais resultarão em 58 milhões de novos postos de trabalho, em particular de analistas de dados e de cientistas, especialistas em inteligência artificial e aprendizagem automática, criadores e analistas de programas e aplicações e especialistas em visualização de dados.

Lamentavelmente é evidente que as mulheres enfrentam diversas dificuldades em setores profissionais importantes, tais como a engenharia, onde as perspetivas ainda são medíocres em termos de manutenção, promoção ou reintegração após uma licença de maternidade. A edição de 2018 do Relatório Global sobre as Disparidades de Género do Fórum Económico Mundial mostra, por exemplo, que apenas 22% dos profissionais em inteligência artificial no mundo são mulheres: um enorme fosso entre homens e mulheres que revela importantes problemas como a segregação profissional e condições de trabalho desfavoráveis.

Além de ultrapassar estes obstáculos, os avanços da conectividade digital e o acesso a tecnologias a preços acessíveis podem também contribuir para o aumento da igualdade nas disciplinas das áreas das CTEM, permitindo a plena realização das mulheres e das raparigas enquanto cientistas, estudantes e cidadãs.

A ONU-Mulheres e a UNESCO envidam esforços, ao lado de diversos parceiros em todo o mundo, para colmatar a disparidade entre os géneros nos domínios das CTEM e das tecnologias digitais.

Uma das iniciativas em que colabora a ONU-Mulheres é a relativa aos Princípios de Empoderamento das Mulheres. Estes princípios fornecem às empresas, em particular no setor

digital, das tecnologias da informação e da comunicação (TIC), da ciência, tecnologia e inovação (CTI) e do setor das CTEAM (CTEM mais Arte & Design) – orientações concretas para o empoderamento das mulheres no local e mercado de trabalho e na comunidade. A ONU-Mulheres convida todas as empresas que desejem comprometer-se em prol da igualdade de género e do empoderamento económico das mulheres a aprovar e a implementar estes princípios.

Porque é fundamental combater as desigualdades muito cedo no sistema educativo, a UNESCO trabalha no sentido de suscitar o interesse das jovens raparigas para as disciplinas das CTEM, de combater os estereótipos nos programas escolares e aumentar o acesso a mentores femininos. Além disso, a UNESCO incentiva as mulheres cientistas, através de iniciativas como o Programa L’ORÉAL-UNESCO “Para as mulheres na ciência” e a Organização de Mulheres Cientistas do Mundo em Desenvolvimento, que oferecem bolsas e oportunidades de estabelecimento de contactos e mentoria para mulheres investigadoras no mundo inteiro. Por fim, o projeto “CTEM e avanço na Igualdade de género” apoia a inclusão da igualdade de género nas políticas, estratégias, legislações e planos nacionais, focando-se na recolha de dados desagregados por sexo.

Através de todas estas iniciativas, estamos decididos a promover uma nova geração de mulheres e de raparigas cientistas para fazer face aos grandes desafios dos nossos tempos. Respondendo ao apelo de Greta Thunberg, jovens investigadoras científicas já estão a tomar a iniciativa na luta contra as alterações climáticas, como a adolescente sul-africana Kiara Nirghin, cujas invenções permitem reduzir o impacto da seca.

Se aproveitarmos a criatividade e a inovação científica de todas as mulheres e raparigas e investirmos adequadamente numa educação CTEM inclusiva, investigação e desenvolvimento e ecossistemas de CTI, temos uma oportunidade sem precedentes para utilizar o potencial da Quarta Revolução Industrial em benefício da sociedade.

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