Comissão Nacional da UNESCO

Ministério dos Negócios Estrangeiros

Dia Internacional das Mulheres e Raparigas na Ciência - 11 de fevereiro

Mensagem conjunta de Audrey Azoulay, Diretora Geral da UNESCO e Phumzile Mlambo-Ngcuka, Diretora Executiva da ONU

11 de fevereiro de 2018

O nosso futuro será moldado pelo progresso científico e tecnológico, tal como o nosso passado. Esse futuro progresso adquirirá toda a sua magnitude quando assente no talento, na criatividade e nas ideias das mulheres e raparigas na ciência.

A maioria dos países, quer sejam industrializados ou não, estão longe de atingir a paridade de género em assuntos relativos à Ciência, à Tecnologia, às Engenharias e às Matemáticas (STEM), em todos os níveis do sistema educativo.

Esse défice alimenta as disparidades em termos de emprego. De acordo com as estimativas do Instituto de Estatística da UNESCO, actualmente, as mulheres representam menos de 30% da força de trabalho em investigação e desenvolvimento no mundo.

Os sectores da ciência e da Tecnologia, em rápida expansão, são vitais para as economias nacionais. Para fazer face a alguns dos maiores desafios da Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável – seja no domínio da saúde ou do combate às alterações climáticas, será necessário mobilizar todos os talentos. Isto significa que é preciso aumentar significativamente o número das mulheres que ingressam e a fazem carreira no sector das ciências, da tecnologia, da engenharia e das matemáticas.

Para reduzir a desigualdade de género nas ciências é imprescindível desmantelar os numerosos obstáculos que as raparigas e as mulheres enfrentam em casa, na sala de aula e no local de trabalho. É preciso mudar as atitudes e combater os estereótipos. É preciso lutar contra os preconceitos enraizados nos educadores, nos empregadores, nos colegas e nos familiares sobre a aptidão das raparigas e das jovens mulheres para estudarem ciências – ou simplesmente para estudar – para prosseguirem carreiras científicas ou liderarem e gerirem instituições científicas.

É difícil para as raparigas acreditarem em si próprias como cientistas, exploradoras, inovadoras, engenheiras e inventoras quando as imagens que vêem nos media sociais, nos manuais e na publicidade reflectem representações de género muito redutoras e limitadas. Esta é a razão pela qual a ONU – Mulheres está a liderar a iniciativa “Aliança Não-Estereotipada”, a qual encoraja publicitários, companhias tecnológicas e influenciadores a banirem, retratos ultrapassados e estereotipados do género em publicidade que possam diminuir ou limitar o papel das mulheres na sociedade. Estas representações erróneas podem dificultar as carreiras das mulheres, incluindo na área da inovação científica.

O Relatório de 2017 do Painel de Alto Nível sobre o Empoderamento Económico das Mulheres do Secretário-geral das Nações Unidas analisou o impacto destas normas sociais adversas e salientou a necessidade do diálogo com crianças e adolescentes, para que raparigas e rapazes se considerem igualmente capazes desde a infância. Também procurou outros caminhos de promoção de modelos positivos a seguir como principais impulsionadores de mudança para aumentar a participação económica das mulheres à escala mundial.

As grandes mulheres mentoras podem mostrar a mulheres e raparigas o caminho para a liderança na academia, na investigação e nos negócios através das suas carreiras. Por este motivo, a UNESCO e a Fundação L’ÓREAL, têm vindo, há mais de duas décadas, a incentivar mulheres cientistas através dos Prémios “Para as Mulheres na Ciência” que visam celebrar as conquistas das mulheres. O Manifesto “Para as Mulheres na Ciência” recentemente lançamento é um chamamento para fomentar o talento das mulheres, apoiando a educação das raparigas em temas relacionados com a Ciência, a Tecnologia, as Engenharias e as Matemáticas (STEM) e garantindo oportunidades iguais para mulheres com vista à sua participação plena e liderança num vasto conjunto de órgãos científicos de alto nível.

A ONU – Mulheres e a UNESCO continuarão a trabalhar no seio do Sistema das Nações Unidas, com todos os seus parceiros públicos, privados e a sociedade civil, para assegurar que raparigas e mulheres estejam representadas de forma mais equitativa, e que disponham de todas as oportunidades para prosperar em disciplinas relacionadas com a ciência, realizando descobertas de vanguarda que influenciarão o nosso futuro.