Comissão Nacional da UNESCO

Ministério dos Negócios Estrangeiros

Dia Internacional para a Eliminação da Discriminação Racial - 21 de março

Mensagem da Diretora-Geral da UNESCO

21 de março

Desde 1966, por iniciativa da ONU, o dia 21 de março é dedicado à luta contra as discriminações raciais. Foi a data escolhida para comemorar as vítimas de uma manifestação pacifista reprimida de forma sangrenta pela polícia, na África do Sul do apartheid. Aconteceu há meio século, o sistema do apartheid foi entretanto oficialmente desmantelado, mas o racismo continua a causar danos. Do insulto ou da humilhação individual aos crimes de ódio e aos massacres em massa, das dificuldades de acesso ao emprego às práticas racistas institucionalizadas, as discriminações raciais assumem múltiplas formas, umas vezes dramaticamente brutais, outras vezes dissimuladas e insidiosas.

Mas, em última instância, todas se alimentam da mesma ignorância perigosa. É por este motivo que, além do reforço dos arsenais jurídicos e dos dispositivos de penalização, a ideologia racista só pode ser combatida de forma durável pelas armas do espírito. Primeiro pela ciência, que revela a fraude do pensamento racista e as suas bases sociais, políticas e históricas. Depois, pela educação, que ensina que ser diferente não significa ser menos e que a diversidade é uma riqueza que deve ser respeitada. Por fim, pela cultura, a única capaz de substituir as hierarquias mortíferas por uma representação do mundo moldada pela consciência de pertença a uma humanidade comum.

Estes três pilares, estas três invenções humanas pelas quais os seres humanos se elevam e se reencontram, fundam a UNESCO e definem a sua missão. O tema escolhido este ano pelas Nações Unidas para este Dia Internacional: «Promover a tolerância, a inclusão, a unidade e o respeito da diversidade no contexto da luta contra as discriminações raciais» está assim em perfeita sintonia com esta missão.

As numerosas colaborações implementadas nos últimos anos, no mundo inteiro, com peritos e responsáveis políticos locais e internacionais, com escolas, museus, organizações da sociedade civil, são testemunho do nosso compromisso neste combate contra o racismo.

O projeto de longo alcance « A Rota do Escravo », lançado em 1994 e que continua ativo, contribuiu de forma decisiva para um melhor conhecimento do tráfico de escravos. A parceria estabelecida em 2014 com a Juventus de Turim reafirmou a necessidade e a urgência de lutar contra a discriminação no desporto. No ano passado, foi sob os auspícios da nossa Organização que foi inaugurada a exposição  «Nós e os outros – dos preconceitos ao racismo» no Museu do Homem em Paris.

Tencionamos prosseguir incansavelmente este combate, em particular através da Coligação Internacional das Cidades Inclusivas e Sustentáveis apoiada pela UNESCO, que revelou ser, desde a sua criação, uma verdadeira plataforma de partilha de experiências, em todo o mundo, para melhorar as políticas de luta contra o racismo, as discriminações, a xenofobia e a exclusão.

Só através destes esforços conseguiremos efetivamente construir um mundo onde ninguém será relegado para uma condição inferior de humanidade e onde, como preconiza o filósofo Achille Mbembe, «a realidade de um destino comum objetivo pode prevalecer sobre o apego à diferença».

Audrey Azoulay