Comissão Nacional da UNESCO

Ministério dos Negócios Estrangeiros

Programas Científicos

Programa Hidrológico Internacional – PHI

O PHI é o único Programa Intergovernamental do sistema das Nações Unidas dedicado à educação, capacitação, investigação e utilização de recursos hídricos, tendo por principal objetivo proteger e encontrar respostas da sociedade para os problemas dos sistemas de água potável em risco. Atualmente, o PHI direcionou os seus objetivos em conformidade com os Objetivos de Desenvolvimento do Milénio relativos à sustentabilidade do Ambiente, bem como para o suprimento de recursos hídricos, o saneamento, a segurança alimentar e a redução da pobreza, tratando de diversas temáticas que promovem um amplo espectro de iniciativas e programas:

  • Adaptação aos impactos das mudanças globais em bacias hidrográficas e sistemas aquíferos;
  • Reforço da boa governança para a sustentabilidade;
  • Ecohidrologia para a Sustentabilidade;
  • Água e sistemas de sustentação da vida;
  • Educação sobre a água para o desenvolvimento sustentável

Mais informações: http://www.unesco.org/new/en/natural-sciences/environment/water/ihp/

Este Programa é também implementado em estreita cooperação com outras instituições, como por exemplo os Centros de Categoria II, ou seja, Centros que não são financiados pela UNESCO, mas que funcionam sob os seus auspícios, de que é exemplo:

Centro Internacional de Ecohidrologia Costeira - ICCE

Em Portugal, existe o Centro Internacional de Ecohidrologia Costeira – ICCE, com base no Acordo assinado entre Portugal e a UNESCO, em 2010.

O ICCE foca o seu trabalho na área da Ecohidrologia Costeira, ciência desenvolvida no âmbito do PHI. Pertence a uma rede mundial de Centros Internacionais, sob os auspícios da UNESCO, a qual permite o desenvolvimento de investigação transdisciplinar e a articulação com as áreas da educação e capacitação, cooperação e de governança dos recursos hídricos, numa perspetiva de harmonização das dimensões ambientais e humanas associadas aos ecossistemas aquáticos mundiais. Neste sentido, o ICCE, tendo em conta as orientações e estratégias do PHI, visa o desenvolvimento das seguintes atividades: regulação ecohidrológica da conectividade rio‐costa; harmonização dos serviços dos ecossistemas aquáticos com soluções ecohidrológicas; modelação ecohidrológica; alterações climáticas e respostas ecohidrológicas nas zonas costeiras; gestão da biodiversidade e soluções ecohidrológicas para a recuperação de ecossistemas e educação e capacitação, nestas áreas. Este Centro, abre, assim, perspetivas de cooperação nacional e internacional aos níveis técnico, económico, de educação, de investigação na área da sustentabilidade dos recursos hídricos e das zonas costeiras. Embora a área de atuação do ICCE seja mundial, consideram-se prioritárias as ações nas regiões da África e Mediterrâneo. 

Comissão Intergovernamental Oceanográfica – COI

Fundada em 1960, pela Assembleia Geral das Nações Unidas, a COI promove a cooperação internacional e coordena Programas nas áreas de pesquisa marinha, serviços, sistemas de observação, mitigação de desastres e capacitação para a compreensão e utilização sustentável dos recursos dos oceanos e das áreas costeiras. Tais ações visam o aperfeiçoamento da boa governança e do processo decisório dos Estados membros, no que se refere aos recursos marinhos e às variações do clima, assim como ao fomento ao desenvolvimento sustentável do meio ambiente marinho, especialmente em países em desenvolvimento.

A COI coordena também a observação e o monitoramento dos Oceanos, por via do Sistema Global de Observação dos Oceanos (GOOS), cuja missão é desenvolver uma base unificada de dados sobre aspetos físicos, químicos e biológicos dos oceanos, para utilização por parte dos Estados membros, industrias, cientistas e público em geral. Coordena, por exemplo, os esforços intergovernamentais para o estabelecimento de um sistema de prevenção e mitigação de tsunamis.

Programa “O Homem e a Biosfera” – MAB

Oficialmente criado em 1971, o Programa MAB visa o estabelecimento de uma base científica para o aperfeiçoamento das relações entre as populações e o seu ambiente e para a redução da perda de biodiversidade, a partir de uma abordagem científica, ambiental, social e de desenvolvimento. Assim, este Programa focaliza a sua esfera de trabalho em duas vertentes:

- Conservar a biodiversidade e simultaneamente responder às necessidades materiais e aspirações de um planeta em crescimento populacional;

- Conciliar a conservação da Natureza e a sua utilização sustentável.

Este Programa apoia diversas redes temáticas voltadas para ecossistemas específicos: montanhas, terras áridas, florestas tropicais, sistemas urbanos, pântanos, ecossistemas marinhos e insulares.

O MAB coordena, igualmente, a Rede Mundial de Reservas da Biosfera, a qual conta com mais de 600 Reservas, em mais de uma centena de Estados membros.

As Reservas da Biosfera são áreas de excelência, representativas dos principais ecossistemas mundiais (terrestres, marinhos e costeiros), estabelecidas pelos Estados membros e reconhecidos pelo Programa MAB como promotoras de um desenvolvimento sustentável, com base na ciência e nos esforços das comunidades locais. Assim, promovem três funções que se consolidam e completam mutuamente:

- Conservação de paisagens, ecossistemas e espécies;

- Desenvolvimento sustentável, a nível social, económico, cultural e ecológico;

- Plataformas de investigação, monitorização, educação, sensibilização e partilha de informação.

Mais informações: http://www.unesco.org/new/en/natural-sciences/environment/ecological-sciences/man-and-biosphere-programme/

Programa Internacional das Geociências – IGCP

 O IGCP é um Programa de cooperação entre a UNESCO e a União Internacional das Ciências Geológicas (IUGS) que vem estimulando estudos comparativos em Ciências da Terra, desde 1972. Este tem financiado equipas de investigação internacionais através de mais de 400 projetos que versam sobre temáticas e problemas geológicos de importância global. Uma atenção especial é dada aos projetos relacionados com a promoção de um ambiente mais seguro; com a interação entre fatores geológicos naturais e problemas de saúde; com a preservação da biodiversidade; com as consequências decorrentes das mudanças climáticas; e com a gestão sustentável de recursos minerais e hidrogeológicos. O IGCP promove projetos de colaboração com ênfase especial sobre os benefícios prestados à sociedade, com o desenvolvimento de competências e com a partilha de conhecimentos entre as nações desenvolvidas e em desenvolvimento.

Este programa colabora, ainda, com a Rede Global e Europeia de Geoparques, sob os auspícios da UNESCO, responsável pelo estabelecimento de territórios nos quais o património geológico de excelência serve de mote para a promoção de um desenvolvimento sustentável das comunidades locais.

Mais informações: http://www.unesco.org/new/en/natural-sciences/environment/earth-sciences/international-geoscience-programme/

Programa Internacional de Ciências Básicas - IBSP

Este Programa Internacional multidisciplinar visa fortalecer os sistemas e políticas de ciência, tecnologia e inovação, com vista ao desenvolvimento sustentável, à erradicação da pobreza e à promoção de uma cultura de paz e não-violência, criando capacitação junto dos Estados membros em Ciências Básicas, incluindo engenharia e o uso de energias renováveis. Assim, este Programa dinamiza projetos e atividades na área da Química, das Ciências da Vida, da Biotecnologia, da investigação do vírus HIV, da Matemática, da Física, dando particular destaque ao papel das Mulheres na Ciência.

Mais informações: http://www.unesco.org/new/en/natural-sciences/science-technology/basic-sciences/international-basic-sciences-programme/)

No âmbito do Programa das Ciências Fundamentais, foi criado, em 2013, o Centro Internacional para a Formação Avançada de cientistas dos países de língua Portuguesa (categoria II) sob os auspícios da UNESCO.

Este Centro tem por missão desenvolver capacidades científicas de alto nível, bem como promover a responsabilidade social, a mobilidade dos cientistas e o combate à «fuga de cérebros» no plano científico. Centra, ainda, a sua atividade à formação de jovens cientistas doutorandos e pós‑doutorandos em ciências fundamentais de universidades e laboratórios de investigação implantados nos países da CPLP.

Durante o período de formação, é dado particular atenção às condições de investigação específicas do país de origem dos estudantes, às normas internacionais de avaliação da investigação, à sensibilização de jovens investigadores para a responsabilidade social e às necessidades de divulgação do conhecimento por cientistas e organizações científicas. A integração precoce de estudantes em redes e projetos de ciência internacionais estáveis é também incentivada e promovida a fim de contribuir para uma formação sustentável no domínio da investigação e fomentar a colaboração nesta área.

O aproveitamento das redes avançadas de infraestruturas e conhecimentos especializados das universidades portuguesas e dos centros de investigação de Portugal, bem como de oportunidades de colaboração com instituições de ensino superior e centros de investigação de outros países da CPLP, permite ao Centro alcançar os seguintes objetivos:

- Reforçar capacidades no domínio da ciência;

- Promover a utilização do conhecimento científico nos países da CPLP em África, na Ásia e na América Latina; transferir conhecimento científico avançado e inovações com origem nas ciências fundamentais;

- Fomentar uma colaboração científica sustentável em áreas-chave das ciências fundamentais, a nível regional e internacional.

No âmbito dos seus programas bienais, o Centro organiza cursos e workshops de formação em áreas prioritárias selecionadas das ciências fundamentais com recurso a peritos locais e internacionais e com sessões introdutórias e especializadas sobre os avanços registados no domínio da investigação e a sua utilização para o desenvolvimento e projetos científicos interdisciplinares.