Comissão Nacional da UNESCO

Ministério dos Negócios Estrangeiros

Jerónimos e Torre de Belém

MOSTEIRO DOS JERÓNIMOS E TORRE DE BELÉM EM LISBOA

[Data de inscrição: 1983 | Critérios: (iii) (vi)]

 

MOSTEIRO DOS JERÓNIMOS

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                                                          © Digisfera / António Cabral

Data de 1496 o pedido feito pelo rei D. Manuel à Santa Sé, no sentido de lhe ser concedida autorização para se erigir um grande mosteiro à entrada de Lisboa, perto das margens do Tejo. Em 1501 começaram os trabalhos e, aproximadamente um século depois, as obras estavam concluídas.

O Mosteiro dos Jerónimos é habitualmente apontado como a "joia" do estilo manuelino. Este estilo exclusivamente português, integra elementos arquitetónicos do gótico final e do renascimento, associando-lhe uma simbologia régia cristológica e naturalista, que o torna único e digno de admiração.

Para ocupar o Mosteiro, D. Manuel escolheu os monges da Ordem de S. Jerónimo, que teriam como funções, entre outras, rezar pela alma do rei e prestar assistência espiritual aos mareantes e navegadores que da praia do Restelo partiam à descoberta de outros mundos. Hoje é revisto por cada um de nós não apenas como uma notável peça de arquitetura mas como parte integrante da nossa cultura e identidade. Foi declarado Monumento Nacional em 1907.

 

TORRE DE BELÉM

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Proteger Lisboa e a sua barra tornou-se uma necessidade na época dos descobrimentos. Teve o rei D. João II (1455-1495) a iniciativa de traçar um plano inovador e eficaz, que consistia na formação de uma defesa tripartida entre o baluarte de Cascais, a fortaleza de S. Sebastião da Caparica, na outra margem do rio, e uma terceira fortaleza, a Torre de Belém.

Devido à morte do rei D. João II, coube a D. Manuel I, seu sucessor, a tarefa de mandar erigir a Torre de Belém. A construção iniciou-se em 1514 e ficou concluída em 1520. Como símbolo do prestígio do Rei, a sua decoração ostenta a simbologia própria do Manuelino – calabres que envolvem o edifício, rematando-o com elegantes nós, esferas armilares, cruzes da Ordem Militar de Cristo e elementos naturalistas.

Na estrutura da Torre podemos distinguir duas partes: a torre, mais esguia e com quatro salas abobadadas, e o baluarte, de conceção moderna e mais largo, com uma casamata onde, a toda a volta, se dispunha a artilharia. Atualmente é um referente cultural, um símbolo da especificidade do país que passa pelo diálogo privilegiado com outras culturas e civilizações.

 

BOAS PRÁTICAS

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Exposição documental “Um lugar no tempo”

A diversidade cultural e etária dos mais de 700 mil visitantes que todos os anos visitam este Monumento, levou à criação uma exposição documental, com carácter permanente e bilingue (português/inglês), que narrasse de uma forma simples, e visualmente atraente, a história deste Monumento ao longo de cinco séculos e a contextualizasse na História Portuguesa e do Mundo. Assim o visitante é conduzido para 500 anos de História situando-se no tempo e no espaço conforme as suas referências culturais individuais. A exposição é acompanhada por um catálogo em português, inglês e espanhol.

 
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Projeto de conservação da Torre de Belém

Mais do que qualquer outro monumento em Portugal, a Torre de Belém (1514-1519) reflete na sua arquitetura e decoração a ousadia, os contactos pioneiros com outros Povos e o vanguardismo do nosso País durante o período das Grandes Navegações Marítimas. Entre 1994 e 1999 a Associação World Monuments Fund Portugal levou a cabo um projeto exemplar de intervenção e de conservação do exterior da pedra deste Monumento que, pela sua qualidade técnica e científica, foi distinguido com um prémio Europa Nostra.

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Plantas nas Obras-primas Europeias

O objetivo deste projeto foi o de estabelecer a relação entre a botânica e a arte, através do estudo da representação artística do mundo vegetal no contexto da história europeia comum, tornando-a acessível ao público através da edição de um CD-ROM disponibilizado in situ em quiosques interativos. A partir da identificação das plantas esculpidas nas pedras do Mosteiro dos Jerónimos, o projeto foi desenvolvido no sentido de se explorarem outras formas artísticas – pintura, iluminura, azulejo, tapeçaria, ilustração científica – noutros países europeus. Juntaram-se a Portugal mais quatro países, Países Baixos, Itália, Espanha e Reino Unido, reunindo-se assim uma equipa de técnicos em áreas tão diversas como a botânica, a história da arte e a informática.