Comissão Nacional da UNESCO

Ministério dos Negócios Estrangeiros

Alterações climáticas

As alterações do clima terrestre no passado encontram-se "gravadas nas rochas". Os elementos dessa história estão contidos na Natureza, através das acumulações de gelo e de poeiras, em sedimentos lacustres e oceânicos, nos sedimentos de campos dunares e de terraços fluviais, em fósseis de plantas e animais, no registo de antigas linhas de costa, no crescimento de corais, no anéis de troncos de árvores e de formações calcárias em grutas, assim como em registos escritos e arqueológicos de sociedades do passado.

A história da raça humana e das suas culturas deve muito às variações do clima do passado. Os cientistas que estudam e investigam o dinâmico Sistema Terrestre têm noção da sua complexidade e dos seus constantes reajustes. Atualmente, pela primeira vez, uma espécie, o Homo Sapiens, tornou-se o principal agente de transformação do Sistema Terra e dos padrões climáticos. Estamos, igualmente, a observar e a entender melhor o modo como essas transformações ocorrem, as escalas relevantes para as regiões e sociedades onde vivemos. Para isso, é necessário perceber a diferença entre a variabilidade natural e a variabilidade devido à influência humana.

As atividades humanas alteraram a química atmosférica e a cobertura vegetal, causando uma preocupante degradação da Biodiversidade. Para além disso, têm sido produzidos milhares de novas substâncias químicas sintéticas, cujo efeito na biosfera não é totalmente conhecido.

Uma das formas de monitorizar a modificação do clima induzida pelo ser humano, é estimar as emissões de gases de efeito de estufa resultantes da atividade humana. Tem-se conseguido estimar esses valores, mas não tem sido possível identificar os locais afetados por essas emissões.

Os modelos de simulação parecem ser o caminho a seguir para a previsão climática. Estes modelos utilizam equações matemáticas para caraterizar o meio físico e as reações dinâmicas entre os oceanos, atmosfera, e o coberto vegetal. Os resultados da modelação estão condicionados pelo nosso conhecimento sobre os sistemas da Terra, pela capacidade de representação da realidade, pelas operações matemáticas e pela capacidade da informática, necessária para os cálculos.

O clima no futuro terá consequências na agricultura e segurança alimentar, na qualidade e abastecimento de água, na frequência das tempestades e ciclones, na estabilidade das zonas litorais, na biodiversidade e nos recursos biológicos. O desenvolvimento de modelos climáticos reduzirá o grau de incerteza na previsão climática regional.

A mudança climática é uma das questões definidoras do nosso tempo. Mais de 30 programas da UNESCO em ciências , educação, cultura e comunicação contribuem para a criação de conhecimento, educação e comunicação sobre as alterações climáticas e para a compreensão das implicações éticas para as gerações presentes e futuras.

A Iniciativa de Alteraçõe Climáticas da UNESCO, lançada pela Directora- Geral da UNESCO visa uma federação no trabalho da UNESCO, juntando-a a outros órgãos das Nações Unidas que têm como objectivo ajudar os Estados Membros na mitigação e adaptação às alterações climáticas , para educar para o desenvolvimento sustentável no contexto das alterações climáticas, para avaliar os riscos de catástrofes naturais devido a essas alterações, e para monitorar os efeitos das alterações climáticas em sitíos classificados pela UNESCO (por exemplo, sitíos do Património Mundial, Reservas da Biosfera ou Geoparques). A referida Iniciativa utiliza esses sítios /territórios para promover economias de baixo carbono , por exemplo, através do uso sustentável de fontes de energia renováveis. As complexidades envolvidas requerem um progresso maior na oferta de educação, consciencilização pública e formação de sociedades em todo o mundo, para melhor se compreender, mitigar e adaptar os seres humanos às alterações climáticas. Tal progresso criará um cidadão mais informado, uma força de trabalho experiente e decisores políticos mais esclarecidos.

As alterações climáticas são cada vez mais reconhecidas como um motor na mudança da biodiversidade, com o crescimento dos impactos e efeitos em cascata, relacionados com a sobrevivência humana. A perda e degradação da biodiversidade, como das florestas, se por um lado contribuem também para alterar essa mesma mudança climática, por outro, através dos serviços dos ecossistemas que suporta, a biodiversidade contribui fortemente para a mitigação das alterações climáticas e adaptação, fornecendo a base para os esforços desenvolvidos para reduzir os efeitos negativos das alterações climáticas.

A importância do mar para a mudança climática global não pode ser subestimada. O oceano regula o nosso clima e capta quase todas as nossas emissões de carbono. Causada pelo aumento de gases de efeito estufa, a poluição costeira, pesca excessiva, o desenvolvimento costeiro ou aumento da pressão populacional, o oceano, as costas litorais e os ecossistemas marinhos estão também eles a passar por grandes mudanças.